Arsenal Sofre, Mas Raya Salva Arteta de ‘Erro Grosseiro’ e Mantém Sonho do Título Vivo
O Abraço do Alívio no London Stadium
Em meio ao caos que tomou conta do London Stadium, o abraço apertado de Mikel Arteta no goleiro David Raya traduziu o sentimento de toda uma nação vermelha e branca em Londres. “Foi o abraço que ele merecia”, cravou Gary Neville, ex-jogador e comentarista. O Arsenal venceu o West Ham por 1 a 0, mas a vitória dramática mascarou uma falha tática que quase custou o título da Premier League.
A partida, que colocou os Gunners a um passo da taça, foi marcada por tensão e decisões questionáveis no banco de reservas. Enquanto um gol anulado de Callum Wilson dominou os debates, foram dois momentos cruciais em um intervalo de cinco minutos que definiram o rumo do campeonato.
A Defesa Que Vale Uma Taça
Se o Arsenal confirmar o título, a defesa espetacular de Raya ficará eternizada na história do clube. O goleiro evitou um gol quase certo de Matheus Fernandes, que poderia ter colocado o West Ham na frente e desestabilizado o líder do campeonato.
A estatística não mente: a finalização de Fernandes tinha um Expected Goals (xG) de 0.54. Em termos práticos, a chance de gol era maior do que a de erro. As probabilidades estavam todas contra Raya, mas o espanhol cresceu debaixo das traves.
Apenas cinco minutos após o milagre defensivo, o Arsenal respirou aliviado. Leandro Trossard, sempre letal, encontrou o caminho do gol e garantiu a vantagem. A linha tênue entre o desastre e a glória nunca foi tão visível para os comandados de Arteta.
O ‘Professor Pardal’ e a Invenção de Rice na Lateral
O grande ponto de interrogação da noite não foi o desempenho do time, mas sim a tomada de decisão de Mikel Arteta. O Arsenal dominava os primeiros minutos, ditando o ritmo, até que uma substituição forçada quase colocou tudo a perder.
A lesão de Ben White obrigou Arteta a mexer na equipe. A escolha? Colocar Martin Zubimendi em campo e deslocar Declan Rice para a lateral-direita. Essa manobra retirou do meio-campo o principal motor do time, o homem que dita o compasso e protege a defesa.
A lógica de Arteta baseava-se no passado. Rice já havia atuado por 90 minutos na função durante a vitória sobre o Brighton, em dezembro. Se funcionou lá, por que não contra o West Ham? A resposta veio em forma de sufoco.
- Transições letais: O West Ham percebeu a fragilidade e passou a explorar o corredor.
- Summerville inspirado: O atacante levou vantagem sobre Rice em lances de perigo.
- Meio-campo exposto: Sem Rice, Zubimendi e o jovem Lewis-Skelly ficaram sobrecarregados.
O erro tático deu campo e confiança aos donos da casa. Um contra-ataque rápido pela direita quase resultou em gol de Taty Castellanos, forçando a primeira grande intervenção de Raya na partida. O Arsenal estava perdido em sua própria formação.
Críticas Pesadas e a Correção de Rota
A imprensa inglesa não perdoou a invenção tática. Gary Neville foi contundente ao vivo: “O meio-campo do Arsenal está aberto e o lado direito não está seguro. É óbvio, mas eu estaria pensando em devolver Rice para o meio-campo se fosse Arteta”.
A correção de rota só aconteceu no intervalo. Cristhian Mosquera assumiu a lateral-direita, permitindo o retorno de Rice à sua posição de origem. A mudança também foi forçada por uma lesão de Riccardo Calafiori, mas era evidente que a alteração tática era necessária para a sobrevivência na partida.
Jamie Redknapp, outro peso-pesado dos comentários na Inglaterra, foi ainda mais duro. Para ele, a improvisação de Rice foi um erro crasso. “Se o Arsenal não tivesse vencido hoje, acho que muita gente olharia para os 25 minutos em que ele jogou com Declan Rice na lateral-direita. Foi um dos maiores erros que você poderia ver um treinador cometer em um momento tão importante”.
O Impacto de Odegaard e as Lições Para a Final
Com o time ainda buscando o equilíbrio, Arteta precisou intervir novamente, desta vez com sucesso. Zubimendi, visivelmente sem ritmo, deu lugar a Martin Odegaard. O capitão retornou com autoridade e foi o arquiteto do gol da vitória, servindo Trossard com maestria.
“Martin, ao entrar, teve um impacto incrível no jogo”, reconheceu Arteta, admitindo a dificuldade da partida. No entanto, o vai e vem tático do treinador levantou alertas nos bastidores. Mexer em duas posições vitais (lateral e meio-campo) para cobrir uma ausência desestabilizou a equipe em um momento crucial.
“Você não pode mover Rice. Ele tem um nível de influência no Arsenal que lembra Keane e Gerrard em seus tempos”, cravou Gary Neville em seu podcast.
A sorte de Arteta foi ter David Raya em noite inspirada. As lições precisam ser aprendidas rapidamente. Com a final da Liga dos Campeões se aproximando, o Arsenal não pode se dar ao luxo de novas ‘invenções’ que coloquem em risco o trabalho de uma temporada inteira. A margem para erro acabou.
